Vem aí a décima edição do Artefatos da Cultura Negra

Começa, na próxima segunda-feira (23), a décima edição do Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra: evento anual que objetiva fortalecer a construção de uma educação antirracista. A iniciativa é uma realização da Universidade Federal do Cariri (UFCA), em parceria com a Universidade Regional do Cariri (Urca), com o Instituto Federal de Educação do Ceará em Juazeiro do Norte (IFCE), com o Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (Negrer) e com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro e Indígena (Neabi). O objetivo é ampliar a compreensão e a participação da presença negra e das africanidades na história e na cultura brasileiras.

A programação iniciará com o show de lançamento “Nossos passos vêm de longe”, com apresentação da cantora Fatinha Gomes, dos grupos “Contemple” e “Sol na Macambira”, além da participação de convidados. O show será no Teatro Patativa do Assaré, no Sesc Juazeiro do Norte, na noite de segunda-feira.

No dia seguinte, começa a programação na UFCA. Estão previstas, para a manhã de quarta-feira (24), no campus Juazeiro do Norte, a mesa de abertura do evento e a palestra “A branquitude acadêmica, a invisibilização da produção científica negra, o brancopesquisador e a salvação de si”, com o professor da Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Lourenço Cardoso.

Até o sábado (28), o Artefatos de Cultura Negra promoverá oficinas, cine-debates, rodas de conversa, minucursos, palestras, mesas redondas e atividades culturais – todos com a temática da negritude e das africanidades. Reunindo ativistas do movimento social negro, pesquisadores, professores e estudantes, em diversos espaços culturais do Cariri, o Artefatos busca colocar em prática o combate ao racismo, criando um território de trocas de saberes entre academia, escolas, movimentos sociais, mestras e mestres da cultura, artistas e comunidades tradicionais.

Racismo no Brasil

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) – realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – divulgou, no fim do ano passado, dados que evidenciam o racismo no Brasil. Mesmo negros e pardos representando 54% da população brasileira, sua participação no grupo do 1% mais rico do país é de apenas 17,8%. Já no grupo dos 10% mais pobres, o índice de participação negra/parda sobe para 75%.

Isso demonstra a menor penetração da população negra/parda nas esferas capazes de proporcionar maior renda. A Pnad Contínua de 2017 apontou, por exemplo, que a média de anos de estudo para pessoas de 15 anos ou mais é de 8,7 anos para pretos e pardos: quase dois anos menos que a média da população branca (10,3). Ainda segundo a Pnad 2017, o percentual de negros e pardos com 25 anos ou mais que concluíram o Ensino Superior é de 9,3%, contra 22,9% da população branca.

A física e professora paulista Sônia Guimarães, atualmente docente do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), comentou sobre a escolaridade da população não branca durante estada, no Cariri, para participação no Artefatos da Cultura Negra do ano passado, quando proferiu a palestra “O que eu faço contra o racismo?”. Segundo a pesquisadora, “as (universidades) federais têm de 10% a 20% de estudantes negros e as estaduais, de 5% a 10%.

*Com informações de Exame

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